MONTRA DE LIVROS NTR “DE QUASE NADA A QUASE REI” DE PEDRO SENA-LINO

Written by on 12/11/2020

Biografia de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal.

A mais completa e rigorosa abordagem à vida e obra de uma das figuras mais carismáticas e controversas da História de Portugal.

Quem foi Sebastião José de Carvalho e Melo até alcançar o poder total? E o que fez depois – e efetivamente – com esse poder?

Com base numa exaustiva pesquisa e na leitura rigorosa das cartas escritas e recebidas por Sebastião José de Carvalho e Melo, Pedro Sena-Lino apresenta-nos o biografado através da voz do próprio. Assente em provas documentais, e apenas se permitindo uma via dedutiva quando os testemunhos se mostram menos abundantes, este livro demonstra como a relação de um líder consigo mesmo pode ter transformado medos próprios em fantasmas nacionais, muitos deles ainda presentes e atuantes nos dias de hoje.

Esta biografia dá conta da misteriosa forma como, no início da sua vida pública, aquele que viria a ser conhecido como Marquês de Pombal vê conjugar-se um improvável conjunto de fatores que permitem a um lavrador forçado a nascer de socalcos e xisto, a um homem sem experiência relevante, uma impressionante escalada social e política, da Real Academia das Ciências, passando pelas embaixadas em Londres e Viena, até chegar à liderança do governo da nação.

Em De Quase Nada a Quase Rei, conhece-se um homem que, dono de uma psique sedenta de vingança, triunfou ferindo. Sebastião José é o nome do político que reformou a educação, o sistema fiscal e a Lisboa pós-terramoto, mas também do homem que, tendo escapado a uma tentativa de assassinato, a transformou num atentado à vida do próprio rei e se vingou nos Távoras e dizimou os jesuítas. Um belo e rigoroso estudo dos subterrâneos da alma humana, um retrato da ambição, do ressentimento, da frieza, do calculismo e de outras características que enformam os grandes ditadores.

«Este livro de Pedro Sena-Lino que o leitor tem entre mãos é a biografia de Pombal por que tanto esperávamos.
Trata-se de um livro literariamente primoroso como as biografias escritas por Camilo ou Agustina — mas mais profundo, pormenorizado e sobretudo intelectualmente honesto. É um livro historiograficamente impecável, mas sem se deixar tolher pelos temores das baias académicas que faz de tantos autores serem incapazes de dizer, em termos simples, simplesmente o que pensam. E é um livro que incorpora muito do atual debate teórico, como o faz Kenneth Maxwell, embora seja mais uma biografia no sentido tradicional do termo, factual e narrativo, na fluência do decurso de uma vida — e se leia enquanto tal.
Não é fácil navegar no grande mar da bibliografia sobre Pombal. Em mais de um quarto de século de percurso profissional e académico ligado aos estudos sobre Pombal, o século XVIII, e o iluminismo — embora, confessadamente, com muitos e largos desvios — desejei muitas vezes que houvesse uma biografia que fizesse o que este livro de Pedro Sena-Lino faz (…).
É, em resumo, um livro que recomendo sem reservas. Igualmente acessível e proveitoso a todos os tipos de leitores: aqueles que acham que sabem quase tudo, e quase nada, da vida e obra de Pombal.»

Do prefácio de Rui TavaresCRÍTICAS DE IMPRENSA«Abre uma “caixa de Pandora” sobre uma das figuras mais importantes da História de Portugal.»
Visão

«Ao biografar o Marquês de Pombal, em “De Quase Nada a Quase Rei”, Pedro Sena-Lino revela um ditador hipocondríaco, absoluto bajulador do rei, que até um atentado forjou contra si próprio.»
João Paulo Sacadura, Rádio Observador

«A obra do escritor Pedro Sena-Lino é baseada em três anos de investigação da correspondência do Marquês e revela facetas desconhecidas do homem por trás desta figura histórica.»
Duarte Valente, RTP

«Através dos manuscritos do próprio – ofícios, notas e cartas – conta a vida e a ascensão de uma das grandes figuras portuguesas, um homem feito de grandezas e mesquinhezas.»
Pedro Miguel Ramalho, TVI

«A biografia escrita por Pedro Sena-Lino é uma bênção.»
Carlos Maria Bobone, ObservadorEXCERTOS«Nunca mais será o fidalgote de província, apontado enquanto entra silencioso mas grande nas salas reais como o de sangue sujo, bisneto de africana, neto de cristã-nova, neto e filho de falsários. Nunca mais será o raptor da mulher, o desterrado em quintas distantes entre parentela rústica, estrangeiro entre eles, exilado da sua família, os sonhos altos do pai e avô a ferverem-lhe o sangue contra a traição da mãe, acicatada pela ternura e simpatia do padrasto, a herança justiceira do trisavô a ombrear-lhe os gestos. Não será nem jamais nem de novo o representante de um rei beato, confusamente no mundo, o enviado cuja palavra não tem peso e cujas ameaças não trazem actos, que o fazem reviver uma adolescência longa onde não pôde ser nada. Nunca mais isso: agora já nem era Sebastião José, nome de baptismo mas também nome de troça, porque não era Dom, porque não era um título, porque era, a cada assinatura, a cada referência, a cada situação, apenas esse e isso: sete sílabas do que não era. Agora era Conde de Oeiras. Assim assinava: ou Oeiras só, a terra comprada e agigantada pelo tio, eco antigo do seu nome e obra ganho pelo seu trabalho e esforço: donde vinha, até a quem o devia, e quem se fizera por ele mesmo. A vitória total sobre o seu passado, até sobre a sua mãe, sobre os seus detractores. E faria dessa Oeiras um palácio como vira em Inglaterra e na Áustria (o palácio é, realmente, muito semelhante ao de Tarouca), celebração do que era e do que ele próprio fez. E ele fizera-se a ele mesmo.»

Pedro Sena-Lino (Lisboa, 1977) é poeta e ficcionista. Cresceu em Paço d’Arcos, à sombra do palácio do Marquês de Pombal. Fundou e dirigiu a Companhia do Eu (2005-2013), uma escola de escrita criativa. Doutorou-se em Literatura Portuguesa do Século XVII na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É professor assistente na Universidade de Gante (Bélgica) e vive em Bruxelas. Está a trabalhar no seu terceiro romance e numa segunda biografia de uma personagem portuguesa do século XVIII. Ainda escreve cartas.


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