AS MINHAS HISTÓRIAS NAS “ONDAS DO ÉTER” CRÓNICA SEMANAL DE ALICE VIEIRA

Written by on 17/10/2020

QUEM VÊ CARAS…

Não conheço muito dos Estados Unidos. Mas, das cidades que
conheço, a minha preferida é Chicago.


Poder molhar os pés na praia—com os arranha-céus mesmo
atrás de nós…

Entrar e sair quantas vezes quisermos, sem pagar
qualquer bilhete, da Robie House , de Frank Lloyd Wright…Andar
horas pelo Parque de Oz, tirando fotografias ao lado das estátuas
de todas as personagens do “Feiticeiro de Oz”…

Percorrer os
vários andares da “American Girl”, um grande armazém onde
cada andar é dedicado a uma boneca representativa de uma
época da história dos EUS—os colonos, os índios, a grande
depressão,etc… e para cada há vestuário adequado à época,
livros sobre o assunto, música do tempo, etc,etc..


Mas da primeira vez que lá fui, não sabia nada disso . Chicago,
para mim, era a cidade de Al Capone e seus discípulos.
Quando cheguei a casa do meu filho, ele e a minha nora fizeram
o que eu faria se estivesse na situação deles : deixaram-me com
os meninos em casa e foram ao cinema.


De repente oiço bater à porta. A casa era uma pequena vivenda,
a porta dava para o jardim e tinha uma janela donde se via quem
estava lá fora. Eu olho e vejo o homem mais negro, mais enorme,
com uma cabeleira disforme. Até tremo. Só penso, “os meninos
estão lá dentro, mas ele vai-me atacar de certeza.”

Abro só uma nesga da porta, e o negro estende-me um púcaro,
a pedir leite. Com uma mão seguro a porta, com a outra abro o
frigorífico , que fica mesmo ao meu lado ,e dou-lhe um pacote
inteiro.


É então que oiço a voz estremunhada de um dos meus netos:
“Hello! “ E logo a seguir, para mim : “é um colega do pai na
Universidade, ficamos muitas vezes em casa dele.”
Acho que, até hoje, ainda sinto vergonha.


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