“ANA LUISA AMARAL” DISTINGUIDA COM PRÉMIO LETEO 2020

Written by on 17/10/2020

A Câmara Municipal de Leão recupera este galardão literário em conjunto com o Clube Leteo Cultural.

Trata-se de uma “das mais importantes poetas vivas de Portugal”, afirma a organização, tendo sido também “duas vezes finalista do Prémio Rainha Sofia”.

A Direcção de Acção e Promoção Cultural da Câmara Municipal de Leão e o Clube Leteo Cultural resgatam o Prémio Leteo, que na sua 18ª edição vai para a poetisa portuguesa Ana Luisa Amaral. A entrega foi realizada a 16 de outubro, no Auditório Ciudad de León.

A vereadora de Ação e Promoção Cultural, Evelia Fernández, indicou que este concurso literário é valorizado depois de dois anos sem ser realizado. “Recuperámos porque ele está a atingir a maioridade e é um compromisso moral porque vi este prémio nascer e crescer”, destacou. Nesse sentido, o conselheiro destacou que durante esses anos passaram por León os melhores autores internacionais, como Antonio Gamoneda, Paul Auster e Juan Gelman, entre outros.

O responsável do Clube Leteo Cultural, Rafael Saravia, explicou que na segunda quinzena de outubro terá lugar uma nova edição da Conferência organizada pelo Clube, que vai girar em torno da figura e obra de Ana Luisa Amaral . Como Saravia indicou, o poeta é “um dos mais importantes poetas vivos de Portugal e foi também finalista do Reina Sofia duas vezes”, especificou. Da mesma forma, ele lembrou o compromisso social do escritor.

Sem dotação monetária, o prémio tinha como candidatos favoritos autores como o sul-africano John Maxwell Coetzee, o português António Lobo Antunes, o holandês Cees Nooteboom, o japonês Haruki Murakami e o britânico Ian McEwan.

No âmbito das XIV Jornadas Culturais Leteo, são propostas atividades como a exposição de Reme Remedios, uma mesa redonda com intervenção de José Luis Puerto, a apresentação do livro de contos de Eduardo Boix e do livro de poesia de Arturo Borra.

Ana Luisa Amaral (Lisboa, 1956) é uma notável criadora portuguesa considerada pela crítica como a mais importante poetisa viva portuguesa, que tem a seu crédito mais de trinta livros, entre poesia, ensaio, teatro e literatura infantil, entre vários traduções. Além disso, é professora de literatura na Universidade do Porto e dirige, juntamente com Luís Caetano, um programa sobre poesia na Antena 2, a estação de rádio pública portuguesa, ‘O som que os versos fazem ao abre’ (o som que versos eles fazem quando abertos). Ela tem formação extensiva em poesia inglesa e se interessou por estudos feministas e literatura comparada durante sua longa carreira. Sua obra está traduzida em vários idiomas e ela foi candidata ao Prêmio Reina Sofia de Poesia Ibero-americana em diversas ocasiões. Tem um doutoramento sobre a poesia de Emily Dickinson e as suas áreas de investigação são Poéticas Comparadas, Estudos Feministas e Estudos Queer. Embora a sua área literária seja essencialmente poesia, tem também publicadas obras de ensaio, teatro, ficção e literatura infantil.

A sua obra poética é editada em Portugal pela Assírio & Alvim.

– No poema Testamento diz que, se morrer, quer que a sua filha se lembre de si.
– Que não se esqueça de mim. Esse poema acaba a falar de batatas íntegras. Não há batatas íntegras, há pessoas íntegras. Há dois conceitos que vemos desbaratados ou espezinhados: a integridade e a bondade. A palavra bondade é uma palavra que já não se usa. Parece que é uma palavra antiga, demodé. Fala-se de pessoas muito inteligentes, valoriza-se a inteligência. Mas uma pessoa boa é rara. A bondade é também a solidariedade para com o outro. É a “com-paixão”. É a simpatia no sentido “sentir com”. Dos nossos políticos, está muito arredada. A integridade também parece um valor esquecido.

(Anabela Mota Ribeiro)


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