“ANTÓNIO ROSADO” RECITAL INAUGURAL DO NOVO PIANO DE CONCERTO DA FUNDAÇÃO ORIENTE

Written by on 01/10/2020

2 Outubro | Auditório | 19.00
Obras de Chopin, Beethoven, Debussy e Armando José Fernandes

PROGRAMA

Armando José Fernandes (1906-1983)
Cinco Prelúdios, Op. 1 (1928)

  1. Prelúdio I
  2. Prelúdio II
  3. Prelúdio III
  4. Prelúdio IV
  5. Prelúdio V

Armando José Fernandes, com formação de concertista de piano, tornou-se um compositor de feição neoclássica que, com Jorge Croner de Vasconcelos, Fernando Lopes-Graça e Pedro do Prado, formaram o “grupo dos quatro”, dominando a música portuguesa dos meados do século XX Português.

Claude Debussy (1862-1918)
Estampes (1903)

  1. Pagodes
  2. La soirée dans Grenade
  3. Jardins sous la pluie

Claude Debussy compôs Estampes (Gravuras) inspirado pelo exotismo do fin-de-siècle e pelo orientalismo dado a conhecer pela 10ª Exposição Universal de 1889 em Paris, em particular, pela recriação de uma aldeia da ilha de Java, a principal ilha da Indonésia que fazia parte do pavilhão holandês onde conhece o gamelão, instrumento que o fascina.  Pagodes evoca o exotismo sonoro do gamelão, através das sobreposições rítmicas, da evocação dos gongos no registo grave do teclado e da utilização das escalas pentatónicas.

Ludwig van Beethoven (1770-1827)
Sonata Ré M op.10 nº3 (1798)

  1. Presto
  2. Largo e mesto
  3. Menuetto: Allegro
  4. Rondo: Allegro


Quase tudo já foi dito e escrito sobre o extraordinário legado musical de Beethoven. A sua obra representa mais do que o produto de um compositor excecional que transcendeu o classicismo do século XVIII conduzindo-a ao encontro de algo novo, o Romantismo: representa o Novo Tempo, a conceção da Arte dirigida à Humanidade, ao Homem pós-Revolução Francesa. Representa o espírito liberal da nova sociedade burguesa que emergia na Europa, o artista com Ideal, com princípios humanitários e pensamento próprio, que não hesitou em os projetar na sua música como afirmação ideológica.
Há algo na sua música que convoca o melhor que temos em nós, como se nos garantisse uma capacidade interior de nos suplantarmos e a certeza inequívoca no triunfo.
Alguém disse: “Estude Shakespeare e ele nos mostrará quem somos. Ouça Beethoven e ele nos mostrará quem poderíamos ser”

Neste ano em que se celebra o 250º aniversário do nascimento de Beethoven, o Museu do Oriente também se associa à evocação beethoveniana com a inclusão da sonata ré M op.10 nº3, dedicada à condessa Browne, uma das favoritas entre os pianistas e de grande exigência técnica.

Robert Schumann (1810-1856)
“Quasi variazioni” Andantino (de Clara Wieck) e 4 variações
(da sonata nº 3, op, 14, 1836)
Intitulado “Quasi variazioni”, o movimento lento da sonata op. 14, também chamado de Concerto sem Orquestra op. 14, é um conjunto de variações em Andantino sobre um tema de Clara Wieck, futura esposa de Schumann. É considerado por muitos o mais belo e perfeito andamento da sonata schumaniano. Este andamento em variações tornou-se o favorito entre os pianistas e por vezes é programado separadamente da Sonata para Piano, como é o caso neste programa.


Frédéric Chopin (1810-1849)
Scherzo nº2 em sib menor, op. 31 (1837)
O segundo dos scherzos de Chopin foi saudado como uma obra-prima. Dedicado a Adele de Fürstenstein, o Scherzo n.º 2 é marcado pelo contraste e pelo virtuosismo. Críticos e monógrafos atropelaram-se a expressar seu deleite. Schumann ouviu influencia de Byron; Niecks achou o trio central evocativo da Mona Lisa; Ferdynand Hoesick ouviu “acentos demoníacos” neste “poema ardente”.  É um exemplo paradigmático do pianismo do grande poeta do piano, Chopin, o pianista que detestava tocar em público, que reinventou o piano, a forma de o abordar, de o pensar como veículo sonoro, como fonte de um novo melodismo – transformou-o numa voz interior própria e nunca antes ouvida. É o 1º compositor que se dedica quase em exclusivo ao piano e com ele, simbolicamente, António Rosado termina o recital inaugural no novo piano de concerto do Museu do Oriente.

ANTÓNIO ROSADO


António Rosado é um “intérprete que domina o que faz. Tem tanto de emoção e de poesia, como de cor e de bom gosto” (in Diapason). Com uma carreira reconhecida nacional e internacionalmente, corolário do seu talento e do gosto pela diversidade, expressos num extenso repertório pianístico a solo, em música de câmara e com orquestra, é laureado pela Academia Internacional Maurice Ravel, Academia Internacional Perosi, Concurso Internacional Vianna da Motta e Concurso Internacional Alfredo Casella de Nápoles. Em 2007, o Governo Francês concedeu-lhe o grau de Chevalier des Arts et des Lettres.

Duração 75′, sem intervalo | M/6 anos
€15 [descontos em vigor]


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