JOÃO MORGADO VENCE 13ª EDIÇÃO PRÉMIO NACIONAL CONTO MANUEL DA FONSECA

Written by on 30/09/2020

A obra ‘Contos de Macau’, da autoria de João Morgado, venceu por unanimidade a 13.ª edição do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, instituído pela Câmara de Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal.

De acordo com o júri, trata-se de “uma obra de grande lirismo. As narrativas dos vários contos deixam transparecer uma elevada qualidade estética e um excelente domínio da linguagem. A atmosfera da cultura oriental está muito bem representada, seduzindo a atenção do leitor”.

Ao PLATAFORMA, o autor, que assinou sob o pseudónimo “Liang”, revelou estar “muito feliz” com a distinção agradecendo a Macau e às suas gentes toda a inspiração. “Esta obra é uma forma de retribuir a amabilidade com que fui ai recebido por todos. Foi uma viagem fantástica”, disse.

João Morgado esteve no território em 2017 como autor conviadado no Festival Literário de Macau. A presença neste lado do mundo “foi muito marcante”. “Estive em Macau em 2017 e tive também oportunidade de ir a Hong Kong. Adorei o contraste de culturas e civilizações, e foi isso que me inspirou a escrever estes contos”, assume.

O autor beirão, nascido na Covilhã, revelou ainda que antes de editar o livro faz questão de o dar a ler a amigos de Macau, “para corrigir eventuais erros de quem olha de longe sobre o território”, desejando que “seja uma leitura aprazível para todos” tanto aqui em Portugal como em Macau.

Esta obra que agora vence este prémio literário é um livro reúne uma série de contos que têm por base a presença portuguesa em Macau e o contraste com a cultura oriental chinesa, revela João Morgado. “São pequenos textos que abordam temas fortes da ilha, como o jogo, a droga, o contrabando, mas também as corridas automóveis, a medicina chinesa, ou a sombra de Camões e Pessanha sobre o território”, levanta um pouco o véu.

O Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, de caráter bienal, procura distinguir uma coletânea de contos originais, escritos em língua portuguesa, por autor natural de qualquer país que integre a comunidade lusófona. Este ano, segundo a autarquia, foram admitidos a concurso 96 obras literárias originais de autores lusófonos. A cerimónia de entrega do prémio ao vencedor, que assinou sob o pseudónimo ‘Liang’, está marcada para o dia 17 de outubro na Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém. O Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, instituído em 1995, presta homenagem a um “grande escritor” e “figura incontornável da literatura portuguesa”.

João Morgado recebeu nove prémio prémios literários, entre os quais, Manuel da Fonseca 2020, Ferreira de Castro 2019, LIONS 2015, Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’Escritas 2015, Alçada Baptista 2014, Vergílio Ferreira 2012…
No Brasil foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cívico e Cultural, e com o Troféu “Cristo Redentor” da Academia de Letras e Artes de Paranapuã – Rio de Janeiro.

Na literatura, afirmou-se com dois romances: “Diário dos Infiéis” e “Diário dos Imperfeitos”, com chancela da Casa das Letras. Estas duas obras foram adaptadas ao teatro.

Este ano editou “Livrai-me do Mal”, sobre o cancro da mama, vencedor do Prémio Literário Ferreira de Castro e participou também na colectânea de poesia contemporânea “Rio das Pérolas”, organizada pelo poeta António MR Martins e editada em Macau com a chancela da Ipsis Verbis.

Contudo, João Morgado é reconhecido no campo do romance biográfico, tendo editado “O Livro do Império” sobre Camões, e uma “Trilogia dos Navegantes”: “Vera Cruz”, sobre Pedro Álvares Cabral e uma visão original sobre a sua chegada ao Brasil, “Fernão de Magalhães e a Ave-do-Paraíso”, sobre a vida controversa de Fernão de Magalhães, e “Índias”, sobre o lado obscuro de Vasco da Gama.

(via: .plataformamedia)


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