“CONCERTO PARA VIOLONCELO DE HAYDN” ORQUESTRA GULBENKIAN

Written by on 30/09/2020

  • qui, 1 out / 21:00 – 22:00
  • sex, 2 out / 19:00 – 20:00

Concerto para Violoncelo de Haydn – Orquestra Gulbenkian

Orquestra Gulbenkian
Nuno Coelho – Maestro
Amalie Stalheim – Violoncelo

Joseph Haydn
Concerto para Violoncelo e Orquestra n.º 1, em Dó maior, Hob.VIIb:1

Felix Mendelssohn-Bartholdy
Sinfonia n.º 3, em Lá menor, op. 56, Escocesa

Foi provavelmente entre 1761 e 1765 que Joseph Haydn compôs, para o violoncelista Joseph Weigl, o seu Concerto para Violoncelo e Orquestra n.º 1. Desconhecem-se as razões do desaparecimento da partitura até 1961, ano em que uma cópia foi identificada no Museu Nacional de Praga. No programa que inaugura a nova temporada, a leitura solista desta obra ficará a cargo da jovem violoncelista sueca Amalie Stalheim, uma das mais promissoras intérpretes da atualidade. Sob a direção de Nuno Coelho, o concerto é complementado pela Sinfonia Escocesa, uma das obras-primas orquestrais de Felix Mendelssohn.


PROGRAMA

Joseph Haydn (1732  1809)
Concerto para Violoncelo e Orquestra n.º 1, em Dó maior, Hob.VIIb:1

– Moderato
– Adagio
– Allegro molto

Composição: c. 1761-1765
Duração: c. 25 min.

A quase totalidade dos concertos de Joseph Haydn situa-se no largo período de cerca de trinta anos (1761-1790) em que o compositor esteve ao serviço da corte dos Príncipes de Esterházy. Entre os cerca de quarenta concertos que terá escrito, o Concerto em Ré maior permaneceu durante muito tempo como a sua única obra concertante para violoncelo conhecida. Em novembro de 1961 foi identificada no Museu Nacional de Praga uma cópia de um Concerto em Dó maior atribuído a Joseph Haydn. A descoberta não tardou a merecer, da parte dos peritos, o aval de autenticidade. De facto, o próprio Haydn menciona a obra no catálogo por ele redigido, figurando aí, em autógrafo, o incipit temático do Concerto em Dó maior. A análise estilística da obra, levada a efeito por vários especialistas viria a confirmar tal opinião. A obra foi estreada modernamente alguns meses mais tarde, a 19 de maio de 1962, no âmbito do Festival “Primavera de Praga”, tendo como intérpretes o violoncelista checo Milos Sadlo, o maestro Charles Mackerras e a Orquestra da Radiodifusão Checoslovaca.

Não se conhece a data exata em que teria sido concluído o Concerto em Dó maior, mas o seu estilo situam-no no início dos anos sessenta. Possivelmente o seu destinatário foi Joseph Weigl, compositor e notável executante, amigo de Haydn, que desempenhou as funções de primeiro violoncelista da orquestra dos Esterházy, entre 1761 e 1769.

O Concerto de Dó maior é muito diferente do seu congénere em Ré maior, caracterizando-se por uma mais larga variedade de cambiantes expressivos, assumindo nos andamentos extremos um caráter enérgico que exige, no que se refere ao solista, virtudes bem salientes de agilidade e vigor. O primeiro e o último andamentos adotam o esquema da forma sonata bitemática. No Adagio central, onde intervêm somente as cordas, domina o trabalho melódico.

Miguel Martins Ribeiro

Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809  1847)
Sinfonia n.º 3, em Lá menor, op. 56, Escocesa

– Andante con moto – Allegro un poco agitato
– Scherzo: Vivace non troppo
– Adagio cantabile
– Finale: Allegro vivacissimo – Allegro maestoso assai

Composição: 1829-1841/42
Estreia: Leipzig, 3 de março de 1842
Duração: c. 43 min.

Felix Mendelssohn foi um importante codificador do Romantismo. Recuperou a música de J. S. Bach, desenvolveu o concerto público e impulsionou géneros associados às novas sensibilidades como a abertura programática. Contudo, a sinfonia continuava a ser a verdadeira prova de fogo para um compositor. Além das sinfonias para grande orquestra, Mendelssohn compôs uma quantidade significativa de sinfonias para cordas, onde apurou o seu estilo.

A Sinfonia n.º 3 é uma das últimas obras de grande fôlego a ser completada por Mendelssohn. Apesar da sua génese se situar numa visita à Escócia realizada em 1829, a obra foi terminada em 1842. Naquele tempo, era normal os jovens pertencentes à aristocracia e à burguesia realizarem o chamado “Grand Tour”, como parte da sua formação. Assim, as visitas à Itália, com as suas obras de arte e arquitetura, e às paisagens naturais da Inglaterra e da Escócia, integravam a formação dos jovens. Isso fez-se sentir de forma mais acentuada em Mendelssohn, pertencente a uma família de intelectuais e banqueiros judeus, cujos salões contaram com a presença de grandes vultos da cultura europeia da época.

Na estreia, em 1842, a Sinfonia n.º 3 foi apresentada sem referências programáticas, apesar do sabor tradicional de alguns dos seus temas e da continuidade entre andamentos, resultante de vários temas derivarem do motivo da introdução. A sinfonia tem início com uma introdução lenta baseada num tema registado aquando da viagem de Mendelssohn à Escócia. O primeiro andamento encontra-se em forma sonata, a qual confronta um primeiro grupo temático cinético com o melodismo delicado do grupo complementar. A interpenetração dos dois grupos temáticos e o retorno do material da introdução são características essenciais da obra. O Scherzo, em forma ABA, tem sabor popular, contrastando com a expressividade cantabile e nostálgica do Adagio. A sinfonia termina com um andamento contrapontístico e em forma sonata, cuja coda, em tonalidade maior, estabelece um derradeiro contraste com a atmosfera do andamento.

João Silva


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