MONTRA DE LIVROS NTR “POESIA”

Written by on 03/09/2020

LUÍS MIGUEL NAVA CHANCELA ASSÍRIO & ALVIM

Após um longo hiato editorial, é publicada a Poesia de Luís Miguel Nava, numa cuidada edição preparada por Ricardo Vasconcelos, autor do livro Campo de Relâmpagos — Leitura do excesso na poesia de Luís Miguel Nava, também publicado pela Assírio & Alvim há alguns anos. A presente edição incluirá alguns inéditos e dispersos.


«Era há muito desejada a reedição da obra de Luís Miguel Nava, desaparecida das livrarias há vários anos, apesar do interesse que nela continua a existir não só em Portugal, onde os seus livros se esgotaram sucessivamente, mas também no Brasil.

A relevância da edição da Poesia que agora se apresenta é de assinalar por não só incluir todos os poemas que o autor publicou em vida, mas também por trazer a público um conjunto muito substancial de textos inéditos ou parcialmente inéditos […], que são apresentados devido à sua qualidade e ao facto de contribuírem para uma compreensão mais global da escrita de Nava.»

Luís Miguel Nava nasceu em Viseu, a 29 de setembro de 1957. Estuda Filologia Românica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e após a conclusão do curso faz um mestrado e trabalha como assistente nessa faculdade entre 1981 e 1983, ano em que parte para Oxford, onde exerce as funções de leitor de português. Muda-se para Bruxelas em 1986, aí trabalhando como tradutor da então Comunidade Económica Europeia. Morre nessa cidade em maio de 1995, assassinado no seu apartamento. É o autor de uma obra poética singular, bem como de diversos livros de ensaio, já publicados pela Assírio & Alvim no volume Ensaios Reunidos (2004).

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A pele era o que de mais solitário havia no seu corpo.
Há quem, tendo-a metida
num cofre até às mais fundas raízes,
simule não ter pele, quando
de facto ela não está
senão um pouco atrasada em relação ao coração.
Com ele porém não era assim.
A pele ia imitando o céu como podia.
Pequena, solitária, era uma pele metida
consigo mesma e que servia
de poço, onde além de água ele procurara protecção.

(Luís Miguel Nava)


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