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    “ARTISTAS UNIDOS” REABERTURA DO TEATRO DA POLITÉCNICA 27 AGOSTO

    Written by on 25/08/2020

    Por protocolo assinado com a Reitoria da Universidade de Lisboa, os Artistas Unidos estão no renovado Teatro da Politécnica, na entrada do Jardim Botânico.

    Pronto, já sabemos onde poderemos voltar a Enda Walsh. Ou revelar Dimitris Dimitríadis. Ou Giovanni Testori. Vamos ter casa em Lisboa, onde podemos retomar a nossa conversa com Jon Fosse e relembrar os nossos autores mais queridos, Harold Pinter, por exemplo. Em colaboração com a Universidade de Lisboa e os apoios da Câmara Municipal de Lisboa, da Fundação Gulbenkian e do Ministério da Cultura (agora SEC) abre, connosco, em Lisboa, um teatro de autores. Sim, de gente que escreve. E, mal se consiga, voltaremos a Juan Mayorga, sim.  E tentaremos escrever peças neste Portugal estranho. Pois, não vai ser A Capitalisso já não vai haver. Não haverá aquela confluência que foi única de gentes diversas, isso fica só nos nossos corações.
    Não será o Teatro Paulo Claro, não. Mas será um teatro com actores, de actores, de autores, de gente que escreve, gente que gosta das palavras de outros. E queremos voltar a ter connosco Spiro ScimoneJosé Maria Vieira MendesDavid Lescot e  Antonio Tarantino e Simon Stephens.

    E vai haver edições de livros, mais livrinhos de teatro e não só. E vai haver conversas com os espectadores. E dvds, e filmes. E artistas. E vamos estar por lá, lendo, quem sabe, Os Caprichos da Mariana de Musset ou Penélope, a mais recente peça de Enda Walsh, ou comentando Rocco e Os Seus Irmãos, o filme que Visconti adaptou das primeiras e belíssimas novelas de Giovanni Testori, de quem provavelmente leremos os outros dois Prantos. E está prometido: havemos de fazer Sou o Vento de Jon Fosse. E expor os artistas nossos amigos. Começamos com Angelo de Sousa, esculturas: não sabemos despedir-nos dele. E iremos contar a história deste edifício, onde funcionou a associação de estudantes da Faculdade de Ciências, onde gente como Rui Mário Gonçalves (havemos de o convidar) organizou as primeiras defesas da arte abstracta, onde Nikias Skapinakis expos pela 1ª vez, onde Mário Dionísio deveria ter feito as conferencias que deram lugar à Paleta e o Mundo (mas era tanta a gente que mudaram para o anfiteatro), onde Manuela Porto apresentou o seu Pirandello (Limões da Sicília) e onde Lopes Graça trazia o Coro da Academia dos Amadores de Música, onde temos fotografias de Glicínia Quartin, sentada. Ou de Mário Ruivo. E de José Júlio, os que vieram antes de nós. Iremos contar a história, com os amigos.

    Não vai ser o Teatro Paulo Claro, não.

    Mas será ele, o Paulo Claro, ele, o nosso logo, junto ao peito.

    Os Artistas Unidos reabrem o Teatro da Politécnica e retomam as actividades com todas as medidas sanitárias de segurança.

    A partir de 27 de Agosto poderá assistir a UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA a partir do romance homónimo de Bohumil Hrabal e, de seguida, poderá mergulhar no mundo de Enda Walsh com QUARTOS, um espectáculo onde se fundem os universos do teatro e da instalação.

    A 6 de Setembro, no São Luiz Teatro Municipal, faremos SOU O VENTO – PELO PEDRO LIMA, uma tarde de leituras e conversas para lembrar o actor Pedro Lima, com direcção de Jorge Silva Melo.

    UMA SOLIDÃO DEMASIADO RUIDOSA a partir do romance de Bohumil Hrabal de e Com António Simão Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos M12

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    No Teatro da Politécnica de 27 de Agosto a 19 de Setembro 
    3ª e 4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 19h00

    “O céu não é humano e o homem que pensa nem sequer pode ser humano.”
    Bohumil Hrabal

    Criado em 1997, com estreia no CCB, os Artistas Unidos retomam agora, 23 anos depois, um espectáculo criado por António Simão a partir da novela de Bohumil Hrabal, autor maior. Não é uma reposição, é uma revisão da matéria dada.

    Em Praga, há uma cave. Brilhante como uma gruta de tesouros. Sombria e suja como um esgoto. Nessa cave há milhares de livros, centenas de ratos, visões passageiras e palavras que tornam o mundo grande. E há um homem, Hanta. Que há 30 anos empurra afectuosamente os livros, os mais belos e mais banais, para a prensa que os tritura e transforma em cubos de papel. Mas Hanta é um “carniceiro terno”. Sabe salvaguardar as palavras guardando-as na memória, para que elas brilhem que nem sóis, e para que esses sóis o ajudem a ver como pode ser a vida de um homem. Por entre a poeira, o suor e o cheiro a cerveja que não pára de beber, Hanta fala-nos.

    (Evelyne Pieiller)

    QUARTOS de Enda Walsh Tradução Eduardo Calheiros Figueiredo Vozes  Américo Silva e Vânia Rodrigues Cenografia Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Som André Pires Encenação Jorge Silva Melo A Classificar pela CCE

    QUARTOS de Enda Walsh_fotografia de Jorge Gonçalv

    No Teatro da Politécnica de 30 de Setembro a 7 de Novembro
    3ª a 4ª às 19h00, 20h00, 21h00 | Sáb às 16h00, 17H00, 18h00, 19h00, 20h00 e 21h00

    “E foi então que comecei a conversar com o meu quarto – inventando histórias para ursos e bonecas – com a escuridão a ameaçar lá fora.”
    Enda Walsh, Quarto da Rapariga

    A partir de Quarto 303 de 2012, Enda Walsh tem vindo a escrever vários Quartos apresentados como instalações teatrais quer no Festival de Galway quer em Nova Iorque. Apresentamo-los agora aqui, neste pós-confinamento,  A mesma palavra luxuriante, herdeira de Beckett ou Joyce, a mesma claustrofobia (como em Acamarrados ou A Farsa da Rua W), um mundo pobre de onde não se consegue escapar, E, no entanto, há quem se tenha escapado. Um autor maior, um teatro singular.

    JSM

    SOU O VENTO de Jon FosseTradução Pedro Porto Fernandes Com Manuel Wiborg e Rúben Gomes Direcção Jorge Silva Melo

    Conversa com Paulo Dentinho, Nuno Artur Silva, Manuel Cavaco, Luís Filipe Borges, Sofia Monteiro Grilo, Rodrigo Francisco e Jorge Silva Melo.

    No São Luiz Teatro Municipal, na Sala Bernardo Sassetti a 6 de Setembro às 17h30

    “Estamos tristes. Ficaremos tristes. Era nosso amigo, trabalhámos juntos, rimos juntos, pensámos juntos. Foi o Pedro Lima, ator. E não o vamos esquecer.” Jorge Silva Melo organiza uma tarde de homenagem ao actor desaparecido em Junho no São Luiz. Na Sala Bernardo Sassetti, para falarem de Pedro Lima, juntam-se Paulo Dentinho, Nuno Artur Silva, Manuel Cavaco, Luís Filipe Borges, Sofia Monteiro Grilo, Rodrigo Francisco e Jorge Silva Melo, amigos, colegas, gente muito diversa que ele soube unir na vida e nestas lágrimas.”

    No palco, os atores Rúben Gomes e Manuel Wiborg leem Sou o Vento, de Jon Fosse, peça que Pedro Lima estreou, ao lado de Manuel Wiborg, nesta mesma sala em maio de 2008, quando os Reis da Noruega e também o escritor e e dramaturgo norueguês vieram a Lisboa, em visita oficial.

    “Agora vamos voltar a lembrar: um homem deixa-se afogar numa viagem de barco com um amigo. Este não consegue salvá-lo, impotente. E o outro desaparece no mar. É um dos mais belos textos sobre a depressão e a nossa cegueira, comovente. E comovente então agora, pensando no Pedro, querido ator. Não o vamos esquecer. E queremos estar juntos, tão diferentes que somos, tão próximos dele como ele quis”.
    Jorge Silva Melo