“AS CORES DOS AUTORES” ERNESTO RODRIGUES – DA ESCRITA AO ENSINO E INVESTIGAÇÃO. VIDA LITERÁRIA DE UM PROFUNDO CONHECEDOR DA LÍNGUA PORTUGUESA.

Written by on 02/05/2020

AS CORES DOS AUTORES.

Na tela da Rádio, Histórias, Conversas, Ideias, Confidencias, Sensibilidades. Esculpindo Memórias.Produz e Realiza JORGE GASPAR.

Na emissão de hoje, à conversa com ERNESTO RODRIGUES. O destaque para a atividade como Investigador e Diretor do CLEPUL ‒ Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

ERNESTO José RODRIGUES, (Torre de Dona Chama, 17-VI-1956) poeta, ficcionista, dramaturgo, cronista, diarista, crítico, ensaísta e tradutor.Licenciado em Filologia Românica (1980) e Mestre em Literatura Portuguesa Clássica (1991), doutorou-se em Letras, na especialidade de Cultura Portuguesa (1996), e fez a agregação em Estudos de Literatura e Cultura, na especialidade de Estudos Portugueses (2011), sempre na Universidade de Lisboa, em cuja Faculdade de Letras é professor auxiliar. Aqui, organizou colóquios, jornadas, conferências, tertúlias, debates; entre outros cargos, foi director-adjunto (2013-2015) e director do CLEPUL ‒ Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa.  Docente do ensino secundário (1978-1979, 1980-1981), jornalista profissional (1979-1981) após longa experiência na Imprensa regional (desde 1970), leitor de Português na Universidade de Budapeste (1981-1986), assistente na Escola Superior de Educação de Bragança (1986-1988), docente no Instituto Piaget (Macedo de Cavaleiros, 1997), docente e coordenador do curso de Comunicação e Design no Instituto Superior de Línguas e Administração – Bragança (1998-1999), ministrou cursos e proferiu conferências em Portugal, Brasil, Cabo Verde, França, Hungria, Itália, Marrocos, Moçambique, República Checa, Roménia. Tem orientado e arguido dezenas de dissertações, teses e pós-doutoramentos. Membro do Conselho Científico da Faculdade de Letras de Lisboa (2015-2017), é membro externo do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Bragança desde 1-VII-2015. Perfeitos 40 anos de vida literária, foi homenageado com um documentário realizado por Leonel Brito e sessões no Centro Cultural Municipal de Bragança (2014) e em Torre de Dona Chama, além de votos de louvor aqui e na Assembleia Municipal de Mirandela.Estreando-se em livro em 1973, está traduzido em castelhano, checo, francês, húngaro, inglês, italiano, romeno. Revisor de traduções do francês e inglês, é o principal tradutor para língua portuguesa de autores húngaros (incluindo lírica quatrocentista vertida do latim), desde 1982 – com relevo para Antologia da Poesia Húngara (Lisboa, Âncora Editora, 2002) –, e estudioso das relações entre os dois países. Por tão profícua actividade, foi agraciado pelo Estado húngaro (1983, 1989) e, primeiro tradutor estrangeiro, pela Ordem dos Cavaleiros de São Jorge (Szent György Lovagrend, 2002). Os seus trabalhos sobre o século XIX tiveram menção honrosa do Grémio Literário (Lisboa, 2008; cf. José-Augusto França, Memórias para Após 2000, Lisboa, Livros Horizonte, 2013, p. 87). Afora outros prémios nacionais (Secretariado para a Juventude, 1972; Sport Lisboa e Benfica, 1973) e regionais, venceu a 1.ª edição do Prémio Brigantia – Literatura (1996) e o Prémio PEN Clube – Narrativa (2017), com o romance Uma Bondade Perfeita. Tem a Comenda Municipal Álvaro de Souza, Bragança, Pará (2012).

“UMA SOCIEDADE PARA SE AFIRMAR  PRECISA DE UM PROJECTO CONSISTENTE DE CULTURA E DE CIÊNCIA” (MANUEL ANTUNES).

O CLEPUL,  CENTRO DE LITERATURAS E CULTURAS LUSÓFONAS E EUROPEIAS DA FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA, é um dos Centros de Investigação portugueses mais antigos dedicado aos estudos literários, tendo a idade da Democracia em Portugal. Integrado, desde 2010, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), antes Junta Nacional de Investigação Científica (JNICT). É o primeiro centro nacional liderado por um Investigador (do Programa “Ciência” 2008).Criado por Jacinto Prado Coelho, professor e investigador da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na sequência da Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, com o nome de Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa, foi pioneiro na investigação das Literaturas Lusófonas, tendo, assim, contribuído para a sua integração na academia portuguesa como área de especialização. Também inovador foi o modo como conjugou a tradição de estudos filológicos e a novidade das propostas estruturalistas e da sociologia da leitura, que, na época, entusiasmavam a Europa central.Eleito em 28 de Fevereiro de 2015, Ernesto Rodrigues é acompanhado, na Direcção por José Eduardo Franco e Ana Paula Tavares (directores-adjuntos), Luísa Paolinelli (secretária), Luís Pinheiro e Paula Carreira (vogais).

DIRECÇÃO

Director: Ernesto Rodrigues Directores-Adjuntos: José Eduardo Franco Ana Paula Tavares Secretária: Luísa Paolinelli 1.º Vogal: Luís Pinheiro 2.º Vogal: Paula Carreir


COMISSÃO COORDENADORA

Coordenadora do Grupo de Investigação 1 –Literatura e Cultura Portuguesas: Maria Isabel RochetaCoordenadora do Grupo de Investigação 2 –Culturas e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa: Ana Paula Ribeiro TavaresCoordenador do Grupo de Investigação 3 –Multiculturalismo e Lusofonia: Fernando Alves CristóvãoCoordenadora do Grupo de Investigação 4 –Literatura e Cultura em InterArtes: Annabela de Carvalho Vicente RitaCoordenadora do Grupo de Investigação 5 –Interculturalidade Ibero-Eslava: Béata CieszýnskaCoordenadora do Grupo de Investigação 6 –Brasil-Portugal: Cultura, Literatura e Memória: Vania Pinheiro ChavesCoordenador do Grupo de Investigação 7 –Metamorfoses da Herança Cultural: José Eduardo FrancoCoordenador do Grupo de Investigação 8 – Grupo de Investigação de Tradições Populares Portuguesas Professor Manuel Viegas Guerreiro: João David Pinto-Correia


COMISSÃO EXTERNA PERMANENTE DE ACONSELHAMENTO CIENTÍFICOProfessor Doutor Diogo de Abreu (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Portugal)Professor Doutor Onésimo Teotónio Almeida (Universidade de Brown, EUA)Professora Doutora Carmen Tindó Ribeiro Secco (Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil)Professora Doutora Mary del Priore (Universidade de São Paulo, Brasil)

Atualmente o CLEPUL organiza aquela que é a sua coluna vertebral do trabalho de pesquisa em 8 Grupos de Investigação, aos quais estão ligados 5 Polos espalhados por diferentes universidades portuguesas e estrangeiras.

Os Grupos de Investigação (GI) e os seus respetivos Polos associados são os seguintes:Grupo 1 – Literatura e Cultura PortuguesasGrupo 2 – Culturas e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa Polo associado: Estudos Africanos (Universidade Católica de Angola em Benguela)Grupo 3 – Multiculturalismo e Lusofonia Polo associado: Da Latinidade ao Multiculturalismo (Universidade da Madeira)Grupo 4 – Literatura e Cultura em InterArtes Polo associado: Artes e Ciências (Universidade Fernando Pessoa – Porto)Grupo 5 – Interculturalidade Ibero-Eslava Polo associado: Estudos Lusófonos e Europeus (Universidade do Algarve)Grupo 6 – Brasil-Portugal: Cultura, Literatura e Memória Polo associado: História, Cultura e Educação (Universidade Federal de Sergipe)Grupo 7 – Metamorfoses da Herança Cultural Polo associado: Mundos em Rede: Política, Comunicação e Cultura (Universidade Aberta)Grupo 8 – Grupo de Investigação de Tradições Populares Portuguesas Professor Manuel Viegas GuerreiroOs Polos do CLEPUL, liderados por um coordenador, constituem-se como núcleos de pesquisa com uma certa autonomia. Os Polos agregam um grupo alargado de investigadores ligados a um círculo de investigação com uma identidade científica própria.Os Polos resultaram da integração de antigos centros de investigação de pequena ou média dimensão no CLEPUL, ou então erigiram-se no contexto do desenvolvimento de núcleos de pesquisa enquadrados em determinadas universidades que agregam um número significativo de investigadores e projetos próprios, configurando uma determinada identidade científica e institucional.Cada Polo encontra-se associado a um Grupo de Investigação, tendo em conta a sua linha científica predominante:

  • Centro de Tradições Populares Portuguesas (Universidade de Lisboa), associado ao Grupo 1
  • Estudos Africanos (Universidade Católica de Angola em Benguela), associado ao Grupo 2
  • Da Latinidade ao Multiculturalismo (Universidade da Madeira), associado ao Grupo 3
  • Artes e Ciências (Universidade Fernando Pessoa – Porto), associado ao Grupo 4
  • Estudos Lusófonos e Europeus (Universidade do Algarve), associado ao Grupo 5
  • História, Cultura e Educação (Universidade Federal de Sergipe), associado ao Grupo 6
  • Mundos em Rede: Política, Comunicação e Cultura (Universidade Aberta), associado ao Grupo 7

Ao longo dos últimos anos, o CLEPUL tem estreitado as suas relações institucionais com outras unidades de investigação, com vista ao desenvolvimento de trabalhos científicos, à realização de actividades culturais (tais como colóquios, congressos, encontros e exposições), bem como à organização de acções de divulgação junto da comunidade científica e cultural.Esta dinamização interdisciplinar ganha sobretudo em riqueza académica, patente nas trocas de experiências e conhecimentos entre universos diversificados. O CLEPUL tem protocolos/acordos de cooperação com as seguintes entidades:

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Na atividade literária, e da ampla atividade editorial, o destaque para dois títulos: O primeiro: “Uma Bondade Perfeita” – já traduzido em romeno –, e com o qual Ernesto Rodrigues venceu o Prémio PEN Clube Português na categoria de Narrativa em 2017.

Tendo como pano de fundo o drama dos refugiados, “Uma Bondade Perfeita” narra os desatinos de um psicopata e mostra que quem nos salva é, não o altruísmo mecânico de uma qualquer mãe biológica, mas Ágata (bondosa, em grego), a qual, erguida entre as maiores violências, persegue o bem supremo da paz de consciência, culminando neste Séneca: «Sabes o que eu chamo ser bom: ser de uma bondade perfeita, absoluta, tal que nenhuma violência ou imposição nos possa forçar a ser maus.» A humanidade não se salva se o mal nos torna maus, pois seremos iguais a quem, assim, nos venceu. É isso a escalada da guerra, não raro alimentada pelos media. Ser defensivo é outra coisa, e, desde logo, obviar à iniquidade, que conduz à servidão, nem que a única saída, sempre em aberto, seja uma morte digna.

O segundo: “Passos Perdidos”

Um banco de investimento quer vender projecto de lei a deputado democrata-cristão há 40 anos sem intervenção no plenário da Assembleia da República. Quem é João Félix Filostrato? A que se deve esse silêncio? Em iniciativa mediada pela assessora do grupo parlamentar, Salomé, que promove encontro com o economista-chefe João Félix Exposto, Nádia e o estagiário João Félix, também narrador, sobressai a jornalista Joana, por quem passa a história do eleito por Vila Franca e a solução de alguns enigmas. Na sombra, cresce deputada da oposição, cuja biografia se enlaça na deste. Como se organiza a queda de um anjo? Entre comportamentos oblíquos e identidades sempre esquivas, um deputado-borboleta da extrema-esquerda torna-se vítima de predadoras e perdedoras, que visam vingança em várias frentes.Quase dois séculos de regime parlamentar e discursos inócuos ou repetitivos reflectem outros tantos passos perdidos que a Constituição de 1975 e legislaturas fracas não transformaram. Reflexão sobre a democracia em semana pascal, esta fábula política é salva, no final, por um bem enredado discurso amoroso. Uma emissão com a língua portuguesa em destaque, com o conhecimento profundo de ERNESTO RODRIGUES.


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