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“A ARTE DA POESIA” 18 JANEIRO 13:30/14:30H

Written by on 17/01/2020

EMISSÃO 12

No âmbito da divulgação cultural na NTR, celebra-se e vive-se POESIA, numa conversa sobre Poesia e seus Autores nos dias de hoje.

A presença de Mário Máximo, com destaque para o percurso literário e poético de NATÁLIA CORREIA.

Natália Correia (1923 – 1993), mulher de paixões, casou quatro vezes ao longo dos seus 70 anos. Fez televisão, foi jornalista, dramaturga, poetisa e estreou-se na ficção com o romance infantil «Aventuras de um Pequeno Herói», em 1945.

Nasceu nos Açores em 1923 e aos 11 anos desloca-se para Lisboa. Foi jornalista no Rádio Clube Português e colaborou no jornal Sol. Ativista política: apoiou a candidatura de Humberto Delgado; assumiu publicamente divergências com o Estado Novo e foi condenada a prisão com pena suspensa em 1966, pela «Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica».

Deputada após o 25 de Abril, fez programas de televisão destacando-se o “Mátria” que apresentava o lado matriarcal da sociedade portuguesa.

Fundou o bar “Botequim”, onde cantou durante muitos anos, transformando-o no ponto de reunião da elite intelectual e política nas décadas de 1970 e 80. 

Natália Correia foi uma versejadora de êxito, uma mulher carismática com uma vida social intensa, não fez concessões à mediania e notabilizou-se por uma vasta obra intelectual.

Entre as suas obras poéticas encontram-se Rio de Nuvens (1947), Poemas (1955), Dimensão Encontrada (1957), Passaporte (1958), Comunicação (1958), Cântico do País Emerso (1961), O Vinho e a Lira (1966), Mátria (1968), As Maçãs de Orestes (1970), A Mosca Iluminada (1972), O Anjo do Ocidente à Entrada de Ferro (1973), Poemas a Rebate (1975), Epístola aos Iamitas (1978), O Dilúvio e a Pomba (1979), O Armistício (1985), Os Sonetos Românticos (1990, Grande Prémio de Poesia APE/CTT) e O Sol nas Noites e o Luar nos Dias I e II (1993). A sua obra de ficção engloba Aventuras de Um Pequeno Herói (1945), Anoiteceu no Bairro (1946), A Madona (1968), A Ilha de Circe (1983), Onde Está o Menino Jesus (1987) e As Núpcias (1990). Como dramaturga escreveu O Progresso de Édipo (1957), O Homúnculo (1965), O Encoberto (1969), Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente (1981) e A Pécora (1983). Natália Correia escreveu ainda várias obras ensaísticas, das quais se destacam Descobri que Era Europeia — Impressões de Uma Viagem à América (1951), Poesia de Arte e Realismo Poético (1958), A Questão Académica de 1907 (1962), Uma Estátua para Herodes (1974), Não Percas a Rosa — Diário e algo mais: 25 de Abril de 1974 — 20 de Dezembro de 1975 (1978) e Somos Todos Hispanos (1988). Organizou também algumas antologias de poesia portuguesa, entre as quais Antologia da Poesia Erótica e Satírica (1966), Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses (1970), Trovas de D. Dinis (1970), O Surrealismo na Poesia Portuguesa (1973), A Mulher (1973), A Ilha de São Nunca (1982) e Antologia da Poesia do Período Barroco (1982)

Natália Correia nos anos 60 e o relatório da comissão de Censura que proibiu a “Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica – Dos cancioneiros medievais à atualidade”, em dezembro de 1965, devido ao seu alegado “carácter pornográfico”.