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“A MORTE NÃO É PRIORITÁRIA” DE PAULO JOSÉ MIRANDA

Written by on 03/11/2019

A Morte Não é Prioritária – Biografia de Manoel de Oliveira

Autor: Paulo José Miranda

Manoel de Oliveira: homem de séculos e de tudo menos do trivial

Uma biografia crítica e uma aproximação do leitor à obra de Oliveira, tantas vezes mal compreendida.

Sagrou-se campeão nacional de salto à vara e foi trapezista voador. Realizou o seu primeiro filme e foi aplaudido de pé por um Nobel da Literatura. Notabilizou-se como piloto de automóveis, vencendo várias provas. Tirou o brevê de piloto e sobrevoando a quinta da namorada, largou inúmeras cartas de amor. Galã de cinema, entrou em A Canção de Lisboa. Foi agricultor no Douro e por fim, gestor industrial. Aos 70 anos, idade em que a maioria das pessoas estaria já reformada, decidiu dedicar-se a tempo inteiro ao cinema. Filmou até aos 107 anos. Manoel de Oliveira está nos antípodas do convencional, não só no tocante à vida, mas também no que respeita à obra. Neste que é um livro sobre a capacidade de superação dos limites impostos pela vida, Paulo José Miranda mergulha no génio do realizador para revelar a vida de um homem que esteve sempre pronto a começar de novo.

Manoel de Oliveira dedicou-se a tempo inteiro ao cinema numa idade em que a maioria das pessoas está já reformada: aos 70 anos. Mas isso não o impediu de filmar durante mais trinta e cinco anos. Este é, por isso, um livro sobre a capacidade de superação dos limites impostos pela vida, um livro acerca de um homem que esteve sempre pronto a começar de novo.
Em jovem, foi campeão nacional de salto à vara. E trapezista voador. Nessa mesma altura, realizou o primeiro filme, que foi aplaudido de pé por um Nobel da Literatura. Foi piloto de automóveis, vencendo várias provas. Tirou o brevet de piloto e sobrevoava a quinta da namorada largando cartas de amor. Foi galã de cinema, entrando em A Canção de Lisboa. Foi agricultor no Douro. E, por fim, gestor industrial.

Manoel de Oliveira está nos antípodas do convencional, não só no tocante à vida, mas também no que respeita à obra. Neste livro, Paulo José Miranda mergulha no génio do realizador, procurando compreender os filmes que fez à luz das revoluções que ia produzindo em diferentes épocas. Nesse sentido, esta é também, e ao mesmo tempo, uma biografia crítica e uma aproximação do leitor à obra de Oliveira, tardia e tantas vezes mal compreendida.

Apesar de constantemente impedido de filmar durante a ditadura, ao dar-se o 25 de Abril, Oliveira perde a fábrica e a casa que mandara construir quando casara. Nessa altura, diz ao produtor Paulo Branco, com quem tinha acabado de fazer o primeiro filme: «Paulo, agora temos de andar para a frente, agora tenho de viver do cinema.» O que, efetivamente, irá acontecer e durante muitos anos. Mais de vinte filmes depois, já perto dos 100 anos, Manoel ainda ousa dizer a um velho amigo: «Tenho de pensar no meu futuro.»

Paulo José Miranda nasceu em 1965, na Aldeia de Paio Pires. Licenciou-se em Filosofia e, em 1997, publicou o primeiro livro de poesia, A Voz Que Nos Trai, com o qual venceu o primeiro Prémio Teixeira de Pascoaes. Em 1999, e já a residir em Istambul, na Turquia, tornou-se também o primeiro vencedor do Prémio José Saramago, com a novela Natureza Morta. Mais tarde, viveu também em Macau e no Brasil, escrevendo poesia, ficção, teatro e ensaio. Em 2015, recebeu o Prémio Autores, da Sociedade Portuguesa de Autores, pelo livro de poesia Exercícios de Humano, e regressou a Portugal, começando pouco depois a trabalhar na biografia de Manoel de Oliveira, A Morte não É Prioritária.