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“KNK” DE LUÍS FILIPE SARMENTO CHANCELA POÉTICA EDIÇÕES

Written by on 01/09/2019



Finalmente, o tão aguardado novo livro de Luís Filipe Sarmento. Inscrito na História da melhor poesia portuguesa de todos os tempos, o autor de KNK apresenta-nos um itinerário ao (quase) insondável interior humano, partilhando com o leitor a angústia, o medo e a impotência perante os vários terrorismos da deriva neoliberal, ao mesmo tempo que inaugura – aliás como sempre – uma estética livre de qualquer contaminação, ao serviço da libertação, que viabiliza a liberdade e, com ela, o legítimo direito à criatividade, à diferença, à autonomia individual. Ler este livro é uma forma de ser premiado com a competência poética de quem já nos habituou a ler as mais belas imagens, chão agregador de sons tão límpidos quanto a utopia eternizante a que o livro nos convoca.

LUÍS FILIPE SARMENTO, nasceu a 12 de Outubro de 1956. Estudou Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Escritor, Tradutor e Realizador de Televisão. Jornalista, editor, realizador de cinema e vídeo, professor de Ensaios de Escrita, História dos Modernismos e Estética. Alguns dos seus livros e textos encontram-se traduzidos em inglês, espanhol, francês, italiano, árabe, mandarim, japonês, romeno, macedónio, croata, turco e russo.
Produziu e realizou a primeira experiência de Videolivro feita em Portugal no programa Acontece para a RTP (Radiotelevisão Portuguesa), durante vários anos assim como para outros programas de televisão. É membro do P.E.N. Club, da Associação Portuguesa de Escritores, do International Comite of World Congress of Poets. Foi Coordenador Internacional da Organization Mondial de Poétes (1994-1995) e Presidente da Associação Ibero-Americana de Escritores (1999-2000).

Poemas incluídos em«KNK».

Sabe que tudo é formado por coisas simples
e nada simples é
tudo é necessário e mortal. Do dogma à crítica transcendente,
o fragmento da totalidade no espaço e no tempo
é o que se intui, nem olho de deus nem arquitecto do universo
nem ser necessário, nega a sua necessária existência.
A razão de ser de todas as coisas não é deus, talvez a coisa
não se demonstre por impossibilidade da sua nudez ideal.
Do natural defeito ao erro irracional,
a refutação de uma falsa origem, o buraco negro e o seu esplendor
imaginariamente artístico. Onde as periferias são sugadas
e aniquiladas por uma potência teórica
da qual pouco se sabe. O movimento, sem roda nem deus,
faz da expansão a sua existência comum num lugar a haver.

A causa daquele olhar foi a minha distração;
não houve recepção à lucidez daquela presença.
Inconscientemente omisso do mundo, a única existência
na abstração era a arquitectura do edifício da palavra.
Saber e acção, sem a ilusão quotidiana de um olhar,
razão e manifestação da ideia, texto em carne viva,
o sangue nas entrelinhas, o pulsar do ser,
a teoria da existência única.
Talvez a percepção do teu sinal
me levasse ao conhecimento desse olhar que questiona
o homem absorto da realidade dessa existência
que poderia escrever a quatro mãos
o que o presente desconhece do futuro.

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