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EXPOSIÇÃO “IN AT THE DEEP END” CASINOLISBOA

Written by on 27/07/2019

Exposição de escultura com materiais recolhidos na praia, de Ricardo Ramos. Até 12 de Setembro, na Galeria de Arte.

IntheDeepExpLisboa

Os visitantes do Casino Lisboa poderão observar uma original peça escultórica construída com diferentes materiais recolhidos pelo artista em praias não concessionadas, tais como chinelos, redes, plásticos, madeira, alcatruzes (armadilhas para polvos), esponjas, esferovite, “bidons”, bóias, cordas e parafusos em inox A2, “coleção privada”.


É quase impossível ignorar os factos e as implicações do aquecimento global na mudança climática hoje. Ao lidar com esse assunto e com o objectivo de interpretar o que ele significa e suas implicações, não há melhor maneira de fazê-lo como expressarmo-nos através da arte. Um dos temas da Bienal de Veneza de 2019, fez exactamente isso exibindo um número de artistas e países. A exposição da artista mexicana Renata Morales, “Invasor” e “Plastic Reef” de Federico Uribe, foram uma gota no oceano, tanto quanto a criação de consciência sobre este assunto.

Fundamentalmente, a arte reciclada é sobre o reaproveitamento de materiais e conservação da natureza. Há uma mensagem subjacente na arte reciclada. A chave é reciclar, mas ao mesmo tempo a mensagem que esta arte envia são as consequências dos danos que estamos a infligir ao nosso planeta.

In at the Deep End é uma exposição que foca numa obra de arte específica do artista Ricardo Ramos. Enquanto nós, espectadores, apreciamos esta escultura, devemos nos questionar se alcançamos o ponto de não retorno ou se ainda há esperança?

“Orca” é uma expressão da relação muito especial que Ricardo compartilha com o mar, do seu desejo de reinventar esse plástico regurgitado e de reutilizar materiais para criar algo novo. Sua criatividade e talento, assim como sua paixão, transcendem suas obras e ele é capaz de nos trazer a arte que prezamos e valorizamos e será uma lembrança do que está a acontecer com o mundo.

Curadora – Ana Maria Catarino-Doria

O ARTISTA

Ricardo Ramos nasceu em 1978, na cidade de Lisboa. A sua relação com o mar vem de sempre. Inicialmente, de forma lúdica, através da exploração das arribas, das rochas e de todos os esconderijos encantados que só a comunhão do mar e da terra proporcionam, e, mais tarde, a dedicação a alguma fauna marítima que o transformou em pescador e mariscador.

A afinidade com o mar ganhou uma carga afectiva que impeliu Ricardo a proteger incondicionalmente a grande superfície de água salgada dos ataques que lhe são infligidos diariamente. Para atingir esse fim, escolheu subir e descer as arribas (mesmo aquelas que julgamos intransponíveis), calcorrear os trilhos ou caminhar exaustivamente pelos areais, sempre com o objectivo de recolher toda a matéria plástica, e outras tantas, que o mar vai devolvendo à areia. Ricardo sabe que aquilo que não recolher voltará a ser engolido pelas marés e tem consciência plena que esse vai e vem terá custos elevados para os oceanos.

XICO GAIVOTA começou por ser um desafio. Para Ricardo Ramos, o seu mentor, tratava-se apenas de um jogo simples, familiar e contido, que experimentou exercitar com os seus filhos. Recolhiam todo o plástico que encontravam nas praias e fabricavam com a matéria-prima obtida presentes que ofereciam nas épocas festivas. O desafio teve sucesso, os miúdos encantaram-se e os presentes foram entregues.


Entrada Livre