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“NOVE MESES DE INVERNO E TRÊS DE INFERNO” DE JOÃO PEDRO MARNOTO. EDIÇÃO MUSEU DO DOURO.

Written by on 16/12/2018

Nove Meses de Inverno e Três de Inferno de João Pedro Marnoto 

João Pedro Marnoto mergulhou na vida e na paisagem duriense e transmontana: as fragas intemporais, as terras (quase) inóspitas, as pontes que se constroem, para que as viaturas e as pessoas passem, lá em cima, sem magoar ou perturbar a paisagem e a calma. Os homens e mulheres, como que feitos do mesmo material da paisagem, desafiam o tempo, o frio, o calor, rasgam a terra, tiram dela o vinho, a fruta, os alimentos do dia a dia e cuidam dos animais, que com eles partilham a dureza. A fé, a confiança em algo maior, patente na religiosidade do povo, dá força e ânimo, a par dos encontros com a família e os amigos no aconchego do lar, a lareira quente, a televisão que traz notícias do mundo, ou no espaço do café local.

Ao longo da obra as fotografias sucedem-se, no geral ocupando a totalidade de cada fólio, pontualmente uma em cada página e, então as margens negras, se as há. Marnoto faz-nos mergulhar assim na paisagem e na vivência cheia de cor destas terras, sem deixar espaço para outra respiração que a destes ares de montanha.

.Sobre a obra, o autor regista:

Tomando partido numa expressão popular oriunda do Douro e Trás-os-Montes, o trabalho relata uma Viagem, num processo de procura e redenção pessoal. Refletindo sobre as gentes enraizadas na terra que lhe sustenta a fome e devotas na fé que lhes aponta aos céus, é uma abordagem sobre a contemporaneidade partindo de uma premissa e perspectiva do espaço rural.

Enquanto o alcatrão nas estradas e as barragens nos rios ganham terreno sobre a natureza, o homem perdura numa coexistência árdua com o meio natural, salientando um passado vincada pelo esforço e rigor tanto físico quanto espiritual, em contraste com um presente onde parece dominar uma cultura tanto de comodismo como exaltação moral. Aliado a um forte sentimento de pertença, tão alheada dos confortos urbanos da cidade para lá do horizonte, personifica uma cultura em confronto continuo com novas realidades e desafios sociais e económicos.

Em última instância, uma reflexão sobre a condição humana assente sobre três vértices: a relação com a Terra, a Fé e o Progresso.”

.João Pedro Marnoto, nascido em 1975 no Porto, Portugal, após completar o curso académico de fotografia no Reino Unido, dedicou o seu tempo ao longo dos anos a amadurecer e aperfeiçoar o seu domínio sobre a arte da escrita de luz através de uma câmara. Tanto uma desculpa quanto uma ferramenta que lhe permite viver e explorar com sentido as muitas aventuras e desafios que a vida oferece, o seu trabalho é também a sua paixão, apenas tendo paralelo com o seu amor pelo oceano.

Desenvolveu ao longo dos anos um trabalho dentro do imaginário documental, utilizando-o como meio de exploração pessoal. Com quase vinte anos de prática profissional, sua abordagem pretende ser um exercício íntimo de consciência, com seus projetos refletindo sobre questões de identidade e condição humana dentro de uma perspectiva ambiental e sociológica.

Estendendo as suas ferramentas do trabalho da fotográfica para o video, com a intenção de desenvolver projetos numa maior escala e alcance, tanto na criação de conteúdos como também na sua aplicação e difusão em vários meios, desde a clássica impressão em papel até às  plataformas digitais, ele tem colaborando com uma equipe de profissionais confiáveis ​​e capazes, de diferentes campos de criatividade, montando uma plataforma que atende pelo nome de MediaUtopia.

Paralelamente com o desenvolvimento de projetos comissionados e auto-motivados, o foco está na realização de trabalhos institucionaiseditoriais e comerciais, aplicado a todas as etapas de produção de fotografia e filme, desde direção de arte e guião, trabalho de campo e pós-produção de som, imagem e animação gráfica, até publicaçãõesde livros e apresentações de trabalho.

Trabalhando com clientes como o New York Times (EUA), o Museu do Douro (Portugal) e Graham´s Vinho do Porto (Portugal), e tendo recebido prémios como o Melhor Documentário Português no Cine’Eco, Festival Internacional de Cinema Ambiental e dois Gold Awards de Graphis Advertising Annual, é a crença, paixão e entrega em todo o processo que o torna possível, numa forma sempre ambiciosa e única.

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