Current track

Title

Artist

Current show

Background

“PAIS SEM PRESSA” DE PEDRO STRECHT. CHANCELA CONTRAPONTO.

Written by on 01/11/2018

“Pais Sem Pressa”, de Pedro Strecht

O Tempo na Relação Entre Pais e Filhos.

 


Em média, uma mãe ou um pai passam 37 minutos com o seu filho. Uma criança até aos 10 anos passa diariamente 8 horas na escola. Um recluso passa mais tempo ao ar livre do que uma criança em idade escolar. Uma criança ou adolescente passa mais de 2 horas e meia por dia diante de um ecrã.Num tempo em que as relações são substituídas pelas conexões, em que tudo se tornou público e potencialmente “viral”, desde a barriga da mãe durante a gravidez ao primeiro choro do bebé quando nasce, não espanta que certos jovens sonhem ser youtubers profissionais, para serem conhecidos em todo o mundo e ficarem ricos sem fazer quase nada. Estar on tornou-se, sem dúvida alguma, estar in e contar likes, a solução omnipotente para evitar o contratempo de um dislike. A exposição do próprio perante o outro é um pilar do modelo prioritário de comunicação e relação e a epidemia da criança superprotegida que se torna “rei” ou “rainha” e tiraniza a vida dos pais é uma realidade que tem tanto de confrangedor como de assustador ? a sociedade actual parece ser incapaz de lidar com o seu próprio limite.

Hoje, é comum os pais estarem em contacto permanente, obrigados a responder ao minuto, ou até ao segundo, tanto no trabalho, do qual sentem dificuldade em desligar-se, como na vida pessoal e familiar. O ritmo de vida é diabolicamente rápido. Quanto mais se faz ou responde, mais necessidades se criam. A espiral não para e induz a presença da mesma queixa comum entre pais e filhos: não há tempo!

Neste livro, o prestigiado pedopsiquiatra Pedro Strecht defende que é urgente evitar que o tempo tecnológico nos controle a nós e aos nossos filhos e que se nos imponha de modo ditatorial.
A falta de distância expulsa a proximidade. Impõe-se, por isso, a necessidade de repensarmos a vida familiar, repleta de tarefas e de horários exigentes, e de a alinharmos pela noção temporal que a natureza oferece. Porém, embora o tempo natural esteja intimamente ligado ao tempo biológico, isto é, àquele que preside ao desenvolvimento físico e emocional das pessoas, o contacto das crianças portuguesas com a natureza tem-se tornado deficitário. Há, então, que modelar ritmos e desenvolver novos padrões de vida e isso implica uma noção consciente e integrada do tempo. Porque o ócio nos parece um luxo, é fundamental saber parar, organizar, construir novas rotinas, que alternem velocidade, resposta e eficácias com desaceleração, pausa, tranquilidade e harmonia.

Pais Sem Pressa é um convite ao que parece ser a necessidade de um novo paradigma da vida psicossocial: a presença da pausa.

Biografia
Pedro Strecht nasceu em 1966. Terminou o curso de medicina em 1989, é especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência (Pedopsiquiatria) desde 1995 e autor de mais de trinta livros.

Exerceu diversas funções ao longo da sua vida profissional: foi professor do Ensino Secundário e do Ensino Superior, médico no Hospital de Dona Estefânia, no Chapitô, nos Centros Educativos da Bela Vista e Padre António de Oliveira, no Centro Dr. João dos Santos – Casa da Praia e na Cooperativa “A Torre”, foi supervisor do Projeto de Apoio à Família e à Criança Maltratada, colunista da revista “Pais e Filhos” e do jornal “Público”, coordenou a Equipa de Intervenção Psicossocial do Gabinete de Reconversão do Casal Ventoso e também a Equipa de Intervenção em Crise da Casa Pia de Lisboa.

Actualmente, trabalha em consulta privada, na ART – Associação de Respostas Terapêuticas e num Lar de Infância e Juventude Especializado, GPS. Distribui o seu trabalho de base ao longo de quatro dias da semana, durante dez meses do ano. Tem como outros interesses fundamentais a música, a literatura, a escrita e a natureza. Não usa relógio e ainda não se adaptou a telemóveis das novas gerações. Não tem e não acede a redes sociais.

A melhor definição de tempo que ouviu até à presente data foi-lhe transmitida por uma criança de sete anos: “o tempo é uma bola redonda que ainda não parou de andar”.

Tagged as