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EXPOSIÇÃO “PÓS-POP. FORA DO LUGAR COMUM” NO MUSEU CALOUSTE GULBENKIAN ATÉ 10 SETEMBRO.

Written by on 12/08/2018

Pós-Pop. Fora do lugar-comum

Desvios da «Pop» em Portugal e Inglaterra, 1965-1975

Pós-Pop. Fora do lugar-comum no Museu Calouste Gulbenkian

Esta exposição apresenta, na sua grande maioria, obras produzidas entre 1965 e 1975, em Portugal e Inglaterra. Em algumas delas, nota-se uma unidade que tem a ver com a divergência bem-humorada em relação ao lugar-comum proposto pela Pop Art. E, no caso dos artistas portugueses, verdadeiros trânsfugas da mediocridade que se vivia em Portugal, encontramos um laço comum que foi o terem procurado inspiração e incentivo no estrangeiro, em Paris, e, sobretudo, em Londres, verdadeira meca dos anos 1960.

A crítica à Pop Art surge na segunda metade da década de 1960. No caso dos artistas portugueses é simultânea à experimentação em torno desta linguagem, cuja assimilação, por sua vez, surge desviada ou desviante, permitindo alargar e transformar a zona de influência da Pop. A obra realizada por Teresa Magalhães em finais dos anos 1960, praticamente inédita até hoje, exemplifica esta assimilação, enquanto a obra de Ruy Leitão, desenvolvida em Londres e estimulada por um contexto académico muito informado – o artista foi aluno de Patrick Caulfield que o considerava um dos seus mais brilhantes estudantes –, se situa numa zona de afastamento crítico que designámos de «pós-pop». Outro laço comum entre todos estes artistas é o pensamento interventivo que desenvolvem sobre o próprio objeto artístico enquanto tal, o que os situa nos primeiros ensaios da arte concetual sem, no entanto, abandonarem a vontade de comunicação que está na origem da Pop.

Trata-se da emergência de novas linguagens artísticas, vivida em primeira mão num contexto anglo-saxónico. A influência inglesa em Portugal acentua-se com a saída de muitos artistas para Londres. Os artistas portugueses reagem à situação anacrónica do país, à guerra colonial que começa em 1961 e se arrasta até ao 25 de Abril de 1974, data que lhe põe fim e instaura a democracia em Portugal.

Apresentam-se algumas obras de artistas ingleses, com um notório desvio da Pop – Bernard Cohen, Tom Phillips, Jeremy Moon, Allen Jones, entre outros –, a par com um maior número de obras de artistas portugueses como Teresa Magalhães, Ruy Leitão, Eduardo Batarda, Menez, Nikias Skapinakis, Fátima Vaz, Clara Menéres, João Cutileiro, José de Guimarães, entre muitos outros.

 

 

“O despertar da idade de Aquário”, referido na célebre canção do musical Hair, relacionava-se com a libertação do corpo e com a libertação sexual, rompendo tabus e fazendo convergir ao mundo ocidental novas ideias vindas de outros pontos do globo. O Novo Cinema Português e a permanência em Londres de muitos artistas portugueses, subsidiados pelo programa de bolsas de estudo da Fundação Gulbenkian, contribuíram para a mudança de mentalidades no pais.

A exposição parte da Pop Art, enquanto linguagem artística emblemática e reconhecida da segunda metade do século XX, para explorar os desvios que dela fizeram diversos artistas portugueses e ingleses. São apresentadas obras de arte que herdaram o sentido de comunicação da Pop e utilizaram alguns dos seus recursos visuais – como a colagem, o recorte, a repetição, o ready-made, a conjugação numa mesma obra de diversas técnicas, a fotografia -, mas transcenderam a literalidade das imagens da Pop clássica (de origem anglo-americana, de finais da década de 1950 e início dos anos 60) subvertendo a força do lugar-comum a partir do qual essas imagens foram criadas.

Não foi pensada uma entrada e uma saída da exposição mas concebeu-se o espaço a partir das duas entradas possíveis (do lado da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian e do lado do Museu Calouste Gulbenkian – Coleção do Fundador). Do mesmo modo, a exposição não foi pensada a partir de secções claramente identificáveis, propondo-se ao visitante o estabelecimento de conexões visuais e temáticas entre as diferentes áreas expositivas.

 

 

(Curadoria: Ana Vasconcelos e Patrícia Rosas)

 

Até Seg, 10 setembro 2018
10:00 até 18:00

Edifício Sede – Galeria Principal

Av. de Berna, 45A , Lisboa

 

(via: gulbenkian.pt)