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“PASSOS PERDIDOS” DE ERNESTO RODRIGUES. A DEMOCRACIA EM REFLEXÃO.

Written by on 10/06/2018

Passos Perdidos de Ernesto Rodrigues.

Um banco de investimento quer vender projecto de lei a deputado democrata-cristão há 40 anos sem intervenção no plenário da Assembleia da República. Quem é João Félix Filostrato? A que se deve esse silêncio? Em iniciativa mediada pela assessora do grupo parlamentar, Salomé, que promove encontro com o economista-chefe João Félix Exposto, Nádia e o estagiário João Félix, também narrador, sobressai a jornalista Joana, por quem passa a história do eleito por Vila Franca e a solução de alguns enigmas.
Na sombra, cresce deputada da oposição, cuja biografia se enlaça na deste. Como se organiza a queda de um anjo? Entre comportamentos oblíquos e identidades sempre esquivas, um deputado-borboleta da extrema- esquerda torna-se vítima de predadoras e perdedoras, que visam vingança em várias frentes. Quase dois séculos de regime parlamentar e discursos inócuos ou repetitivos reflectem outros tantos passos perdidos que a Constituição de 1975 e legislaturas fracas não transformaram. Reflexão sobre a democracia em semana pascal, esta fábula política é salva, no final, por um bem enredado discurso amoroso.

Ernesto Rodrigues (Torre de Dona Chama, 1956) estreou-se na poesia em 1973, editando, agora, o seu sexto título. Participou, ainda, em 20 antologias. Como ficcionista, assinou Várias Bulhas e Algumas Vítimas (1980), A Flor e a Morte (1983), A Serpente de Bronze (1989), Torre de Dona Chama (1994), Histórias para Acordar (com ilustrações de Célia Rodrigues e Lídia Rodrigues, 1996), O Romance do Gramático (2011) e A Casa de Bragança (2013). Entrou em cinco antologias. Nos últimos 30 anos, tornou-se o principal tradutor de húngaro em Portugal.

Crítico na Imprensa escrita desde 1979 e ensaísta, vem editando autores portugueses dos séculos XVII-XXI, sendo mais recentes Ramalho Ortigão, As Farpas Completas (6 vols., 2007), Camilo Castelo Branco, Poesia (2008), Padre António Vieira, Sermões, Cartas, Obras Várias (2008), Tomé Pinheiro da Veiga, Fastigínia (2011), O Mágico Pressentir do Artista. Entrevistas com José Marmelo e Silva (2011) e quatro títulos de António José Saraiva (2011-2013). Foi responsável pelos três volumes de Actualização (Literatura Portuguesa e Estilística Literária) do Dicionário de Literatura dirigido por Jacinto do Prado Coelho (2002-2003).

Entre os seus principais títulos encontram-se Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal (1998); Cultura Literária Oitocentista (1999); Visão dos Tempos. Os Óculos na Cultura Portuguesa (2000); Verso e Prosa de Novecentos (2000); Crónica Jornalística. Século XIX (2004); «O Século» de Lopes de Mendonça: O Primeiro Jornal Socialista (2008); A Corte Luso-Brasileira no Jornalismo Português (1807-1821) (2008); 5 de Outubro – Uma Reconstituição (2010); O Jornalista Republicano Alves Correia (2012).

É professor auxiliar com agregação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e preside à direcção da Academia de Letras de Trás-os-Montes.